sábado, 22 de setembro de 2012

Um novo lago em cada narrativa


Quando o Teatro Bolshoi encomendou ao compositor Tchaikovsky um balé dramático em quatro atos, a platéia presente em 1877 não se agradou do que viu. A interpretação da orquestra e dos bailarinos foi considerada fraca. Um século depois, O Lago dos Cisnes tornou-se referência do ballet clássico, especialmente após a montagem com Rudolf Nureyev e Margot Fonteyn, em 1966.



Em 2010, Natalie Portman incorporou uma bailarina em busca da perfeição, num thriller passado entre os bastidores e o palco da montagem do Lago dos Cisnes. Papel que lhe rendeu Oscar de melhor atriz e um sucesso de bilheteria. Quinze anos antes, o coreógrafo e bailarino Mathew Bourne ousou, quebrando o paradigma do par romântico príncipe/princesa, colocou em cena apenas homens dançando as partes dos cisnes.


Com uma adaptação livre do clássico O Lago dos Cisnes, Mathew Bourne's Swan Lake teve duas turnês de sucesso no Reino Unido, passando também por Los Angeles, Europa, Austrália e Japão. E esta semana, bailarinos e amantes da dança de várias regiões do brasil terão oportunidade de assistir, no cinema, em tecnologia 3D, a rica montagem que mescla elementos da broadway, da dança contemporânea e do ballet clássico.




A rede UCI Cinemas exibe o musical em várias sessões nos dias 22, 23, 25 e 27 de setembro (consultar http://www.ucicinemas.com.br/filme-4016-swan+lake+3d+de+matthew+bourne). O clássico contemporâneo tem no elenco Richard Winsor no papel do cisne principal - diga-se de passagem, talento e charme para dar e vender, além da experiente bailarina Nina Goldman, no papel da Rainha, a fria mãe do Príncipe, estrelado por Dominic North.


O filme é intenso e segue nume crescente. Para quem não consegue imaginar um pas de deux entre dois homens, vale a pena conferir e tirar suas próprias conclusões. O que se pode adiantar é que o talento e a técnica se fundem com a emoção e o que transborda é sensualidade e uma bela estética. Tudo regado ao mais puro Tchaikovsky. A tecnologia 3D quebra o gelo da tela para um espetáculo de dança. Por trás dos óculos dá para sentir-se um pouco além do cinema.




 Mathew Bourne's Swan Lake prova que uma estória tantas vezes recontada pode trazer novo olhar e novos questionamentos. Bom espetáculo!




sábado, 4 de agosto de 2012

A mulher mais rápida do mundo

Em época de olimpíadas, o marido, sentado no sofá, me chama.
- Mô, vem ver a mulher mais rápida do mundoooo!
Eu, da cozinha, rapidamente respondo:
- A mulher mais rápida do mundo sou eu, que acordo antes das 6, ponho as criaturas de pé, dou café, levo pra escola, pago conta, faço feira, chego no trabalho linda e loura, descasco abacaxis, pego engarrafamento na volta, confiro tarefa, boto pra dormir e ainda arrumo tempo pra fazer atividade física, ver tv, acessar FB, ler e escrever!
Pode, Freud?

domingo, 1 de julho de 2012

Mantra



Pensar magro e saudável, pensar magro e saudável, pensar magro e saudável, pensar magro e saudável, pensar magro e saudável, pensar magro e saudável, pensar magro e saudável, pensar magro e saudável... 

Conselho de quem tem dentro de si o pulsante desejo de escrever

Afrodite publica esse sublime conselho do Mestre Carlos Drummond sobre o ofício da escrita. Simples, despretensioso e quase compulsivo, é assim que se mostra o exercício. Afrodite compartilha de corpo e alma esse conceito.

      Conselho de Carlos Drummond de Andrade para sua filha, Maria Julieta. Trecho conseguido na rede social Facebook.


domingo, 3 de junho de 2012

MDNA TOUR - primeiras impressões




Falar sobre Madonna é algo fácil e ao mesmo tempo muito difícil. Falar sobre sua nova turnê, MDNA TOUR, que estreou há exatos dois shows, tem o mesmo desafio. Principalmente porque esse seu último trabalho é metalinguagem pura.

Dito isso, peço licença para declarar minhas primeiras impressões. Confesso que ao assistir, ansiosa, as postagens iniciais feitas pelo público de Tel Aviv, senti um misto de angústia e mais ansiedade. Não aparecia o que eu esperava, nada detalhava nada. Um pavoroso indício de non sense. Mas ela é assim. Aguarde e confirme.

Aos poucos a colcha de retalhos foi tomando comprimento e espessura. E ainda está em montagem, na minha cabeça e na de muitas pessoas que a acompanham. Porque isso é Madonna: aparentemente muito fácil, por ser pop e até kitsch. Mas não se engane, pois nenhum detalhe foi acrescido por acaso e tudo deságua nas mensagens que ela quer passar para o mundo.
 
MDNA Tour veio bem mais densa, onde a estrela dança pouco e canta mais, dispensando o tão usado playback. A leitura inicial é que a artista pretende afirmar sua mais nova reinvenção: uma estrela consagrada que atravessou décadas e que agora se dá ao luxo de falar sobre seu próprio ícone.

Para quem ainda está com a imagem de Sticky and Sweet Tour, leve, colorida, que tinha a dança como carro chefe, é hora de, como eu, ter a primeira decepção. Acompanhar o trabalho de Madonna é sentir um pouco dessa dual artista. Decepção e encantamento, dor e prazer, tristeza e alegria. E os sentimentos vem necessariamente nessa ordem, para a alegria de seus fãs.

S&S Tour falava sobre pop, hip hop, dança de rua. MDNA é mais teatral e fala sobre MADONNA. Uma revisita a sua carreira, que somente a dança não abarcaria. Há o recorrente tema religioso já na abertura, uma sagração ao sagrado e ao profano. O sutiã cone, usado em 1987 na Turnê “Who’s That Girl” foi novamente desenhado por Gautier, agora em uma versão 3D, se assemelhando a uma gaiola.

A polêmica, outro tempero que não pode faltar em sua vida, agora vem com a menção em palco aos comentários da mídia: a semelhança de Born This Way, de lady Gaga, com o hit Express Yourself. Tudo isso com uma inserção de segundos do refrão Born This Way, arrematado por She’s Not Me, música do álbum S&S. Atitude questionável, mas que já abriu discussão e repercussão, tendo muitos veículos deixado de analisar o todo do espetáculo para se deterem na questiúncula levantada por Madonna.

O tempo passou e isso Madonna deixa claro. Em contrapartida, afirma em suas imagens que ele apenas faz parte de sua obra, onde ela é a protagonista. É a velha mania madônica de mostrar quem manda. Releitura, reafirmação/afirmação. Os anos passaram e ela tem atravessado todas as ondas e geralmente se mantido no topo. A nova versão de Like a Virgin diz muito sobre isso: regada ao piano, aos 54 anos e com pouca roupa no palco, Madonna em alguns momentos canta se apoiando em uma bengala e em suas costas está escrito NO FEAR. É dizendo que não se deve ter medo que ela enfrenta seus próprios medos. E assim ela foi e é uma gigante e por isso tão amada e admirada. E assim será.

Fotos: imagens do Google.

segunda-feira, 23 de abril de 2012


ALGUÉM FICOU ARRETADO

Um dos princípios basilares do jornalismo é a imparcialidade. Cabe ao bom jornalista a capacidade de conhecer, entender e desenvolver a notícia de forma a trazer para o leitor/ouvinte/telespectador os fatos e deixar que ele tire suas próprias conclusões.

Entretanto, como humano que é, o profissional muitas vezes se deixa vencer por sentimentos, conceitos ou até mesmo propósitos outros que o distanciam desse ideal.

Os aspirantes à profissão, os focas, como são conhecidos na área, tiveram recentemente uma aula de como não se deve proceder em uma missão jornalística. Trata-se de um texto sobre a passagem do ex Beatle Paul McCartney na cidade de Recife, publicado em um site de uma revista especializada em música.

No caso, o ressentimento e o objetivo único de desqualificar a plateia local ficaram visíveis. Com tanto assunto para se falar, como a organização do evento, o repertório escolhido – afinal, o veículo é especializado em música – o autor tratou de iniciar falando sobre o calor excessivo.?!?!

Enquanto isso a cidade realmente pegava fogo, pois a cidade estava repleta de eventos culturais e tudo fervilhava ao mesmo tempo: Abril pro Rock, Chico Buarque, Cirque du Soleil, e peça do global Edson Celulari. Casas cheias nos quatro cantos. Sim, a cidade está se consolidando no circuito.

Paul Mccartney com o olhar perdido? Oi? Essa foi a pérola! O que se viu foi um cantor suado, é certo, mas bastante descontraído, curtindo a interação com o público que, como ele mesmo falou: Arretado!
 Acontece que no Nordeste, e especificamente em Pernambuco, a expressão “arretado” tem dois significados. Povo arretado, como o Paul disse, é algo muito legal, bom demais, trilegal, como dizem os gaúchos.

Mas também pode conotar alguém que ficou muito chateado, com raiva, ressentido. Agora voltando ao jornalista arretado, ainda foi dito que o público estava mais preocupado em tirar fotos de si mesmo do que do próprio show. Ou essa pessoa nunca frequentou os shows realizados nas cidades de São Paulo e Rio, ou o calor da plateia afetou sua capacidade de percepção. Tira-se fotos de si mesmo em qualquer lugar do mundo. Álbum de recordações, hoje virtual, é a coisa mais antiga do mundo. E as redes de relacionamento? Ele não conhece?

Não houve partida. Aconteceu um show de alta categoria, onde se sobressaíram a delicadeza e o carinho do cantor e sua banda para com o público. E a recíproca foi muito verdadeira: no gramado e nas arquibancadas uma plateia de todas as idades. Pais beatlomaníacos orgulhosos por estarem com seus filhos por lá. Pessoas que certamente apenas conheciam o refrão mas em plena harmonia com o alto astral que pairava sobre o Estádio do Arruda. Respeito e empatia recíprocos. Demais artistas nacionais e internacionais: PODEM VIR QUENTES QUE ESTAMOS FERVENDO!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sobre a garota que ficou descontrolada

O dia 19 de março trouxe um certo alívio para os fãs de Madonna. Diante da expectativa do lançamento de seu 12º álbum para o próximo dia 26, os seguidores de seu trabalho puderam conferir o conteúdo graças ao vazamento na web.

Daí para a imprensa se manifestar foi um salto. E, apesar de a maioria da crítica ter uma visão positiva do novo trabalho, o olhar diferenciado de cada um é sempre a expressão da subjetividade. E como poderia ser diferente?

Para quem achava que do alto de seus 53 anos, a Madge iria adotar um estilo mais compatível para a idade, perdeu suas fichas. A rainha do pop continua mais pop do que nunca. E, possivelmente, não conseguiria tanto êxito em sua empreitada se fizesse outra coisa.

Seu primeiro vídeo da nova safra, após três anos do último – Celebration, empolgou uns e desapontou outros. Como tinha de ser. Imersa no papel de mãe de família e líder de torcida, Madonna, na estória, conta com a proteção e fidelidade de seus fãs, que a resguardam de ameaças constantes. As pupilas M.I.A. e Nicki Minaj engrossam o coro da torcida que saúda a rainha. “Só o amor pode fazer de você um jogador”, alfinetou logo na abertura do clipe.

O pop rende bem e Madonna sabe disso. Em 2007 assinou contrato com a Live Nation e se esmerou para emplacar os hits do novo álbum. Cercou-se de um bom time para fotografia, DJ, produção e o retorno ao staff de William Orbit, responsável pela produção de Ray of light, há doze anos.

De topete e cabelo longo, Madonna marcou presença ontem,25, em Miami, no Ultra Music Festival, para divulgar a faixa “Girl Gone Wild”. Incansável, falou para uma pista jovem, de igual para igual, e destacou que a música e a dança andam juntas.

Fica difícil, quase impossível, não adjetivar sua obra e sua persona, construída com trabalho duro e inteligência há trinta anos. Perspicaz, Madonna ainda sabe como ninguém manipular a estética pop que ajudou a construir. Ora provocativa ora catártica Madonna tem o toque de Midas e sabe como ninguém transformar amenidades em arte pop.

A reinvenção e movimento constante é um trunfo que a artista tem usado para atravessar as décadas de forma quase imbatível. E no contraponto da pueril temática de “Give me all your Luvin”, a carta seguinte é “Girl Gone Wild”, um vídeo provocante, caliente e de boa fotografia.

O segundo videoclipe da leva já está disponível no youtube, mas para acessar é preciso logar e garantir que se tem 18 anos. Nada de chocante, mas de forte apelo sensual. No ritmo da música eletrônica, a canção inicia com um tom confessional, onde a artista, num close, pede perdão a Deus e diz que se esforça para ser uma boa pessoa. Traço da culpa tão latina e católica inserida pelos cinco anos de convivência com sua mãe, e que marcariam o víeis de sua obra ao longo da carreira.

O contraponto prossegue porque logo em seguida, Madonna – a garota boa que ficou descontrolada - não se refreia em constatar o quão erótico e bom é entregar-se a uma pista de dança e a seus prazeres. Nesse clima, e numa excelente fotografia em preto e branco, o clipe segue com desfile de corpos de modelos – escolhidos a dedo, diga-se de passagem.

Outra boa sacada é a participação do grupo ucraniano “Kazaky”, sucesso na mídia por sua estética ousada. No vídeo, figuras masculinas longilíneas dançam o hit com suas calças legging e em cima de saltos altíssimos, questionando o limite entre o masculino e o feminino. A mistura contagia e algo traz à memória “Vogue” e “Erótica”.

A figura da garota que ficou descontrolada faz parte do controle da mídia pop, mais uma sacada da rainha. Título que ainda é seu e será difícil desbancá-lo. Mesmo que o tempo passe, que a voz não seja a mesma e que o fotoshop seja cada vez mais necessário. A cabeça e o corpo estão em forma e isso continua lhe garantindo o controle.